sexta-feira, 24 de novembro de 2017

HAPPY BIRTHDAY PETE BEST - 76 ANOS - A BATIDA CONTINUA!

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Hoje é aniversário de Pete Best. Ele está completando 76 anos. Randolph Peter Best, nasceu em Madras (Índia) em 24 de novembro de 1941. o baterista conheceu John, Paul e George no Casbah, um bar para adolescentes fundado por sua mãe, em Liverpool. Os futuros The Beatles, por enquanto apenas Beatles, precisavam de um baterista que fosse com eles para a Alemanha e chamaram Best para entrar na banda.
No dia 16 de agosto de 1962, quando as coisas começavam a ir bem para os Beatles, quando receberam uma proposta de contrato da gravadora EMI e produziam seu primeiro disco, o empresário Brian Epstein chamou Best e avisou que seus companheiros de banda tinham decidido substituí-lo por Ringo Starr.

"Fomos covardes. Passamos o trabalho sujo para Epstein", recordou Lennon muitos anos depois. Desde então, Best nunca mais falou com nenhum dos Beatles. Mesmo tendo ficado deprimido depois de ter sido expulso da banda, chegando ao ponto de tentar suicídio, o ex-Beatle vive feliz, tranquilo e explica que se sente uma pessoa com sorte e que não guarda rancores. Quando souberam da notícia da substituição de Best, muitos fãs dos Beatles se manifestaram contra, e no show de estreia de Ringo Starr, George Harrison acabou com um olho roxo. Muitas fãs consideravam Best o mais bonito do grupo e durante certo tempo protestaram nos shows gritando: "PETE FOREVER, RINGO NEVER!". Dizem as más linguas, que, no dia 24 de novembro de 1962, três meses depois de sua demissão, Pete teria recebido um telegrama de felicitações por seu aniversário assinado por "John, Paul, George, Ringo e Brian”. Pete rasgou na hora!
“As pessoas esperam que eu seja ácido e enraivecido, mas não é assim. Me sinto sortudo. Só Deus sabe quantos problemas os Beatles enfrentaram. Quando me expulsaram, nenhum de nós sabia o que iria acontecer. É verdade que as pessoas diziam que nós seríamos mais famosos que o Elvis, mas eu não acreditava e acho que eles também não".
Pete Best chega aos 76 anos em ótima forma. Em paz com a vida, faz apresentações por todo o mundo com sua “PETE BEST BAND” e é sucesso por onde passa - já esteve várias vezes no Brasil. Aqui, a gente confere Pete em alguns momentos bacanas: primeiro com os Beatles, depois com The Pete Best Band interpretando "Gone" do excelente álbum Heyman's Green (2008), com a banda The Beats quebrando o cacete com "My Bonnie" e "Beatstreet", também de Heyman's Green. É isso aí, parabéns, Pete. Afinal, o show não pode parar e a batida continua firme!

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

THE BEATLES - PENNY LANE / STRAWBERRY FIELDS FOREVER

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WINGS GREATEST - THE BEST OF PAUL McCARTNEY & WINGS

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Wings Greatest foi a primeira compilação da carreira de Paul McCartney e seus Wings. Foi lançado na Inglaterra em 1º de dezembro de 1978 e nos EUA em 6 de dezembro 1978. É o oitavo álbum lançado pelo Wings. Tornou-se notável por ser a primeira retrospectiva da carreira de Paul McCartney depois dos Beatles, no entanto, essa coleção se tornou irrelevante depois de lançamentos como "All The Best", "Wingspam: Hits and History" e mais recentemente, "Pure McCartney". Apesar de já ter sucessos suficientes até o final de 1978 para um álbum duplo, McCartney manteve-0 como simples absolutamente por razões comerciais e contratuais. Wings Greatest traz a inclusão de muitos dos sucessos lançados por Paul McCartney (e sua nova banda) somente em compactos no decorrer da década de 1970, como "Another Day", "Live and Let Die", "Junior's Farm" "Hi, Hi, Hi" e "Mull of Kintyre", "Uncle Albert / Admiral Halsey", todas estão lá. Em 1993,"Wings Greatest" foi remasterizado e relançado como parte da "The Paul McCartney Collection".
O design do álbum foi creditado a Aubrey Powell e George Hardie da Hipgnosis. A capa retrata uma estatueta chryselephantina (ouro e marfim) na neve. A estatueta de Semiramis - Deusa do Ocultismo, foi criada pelo famoso escultor de Art Deco, o romeno Demetre Chiparus. Depois de comprá-lo, Linda McCartney queria que a mulher voadora fosse fotografada na neve. Por isso, em 14 de outubro de 1978, ela partiu levando a estatueta e o fotógrafo Angus Forbes para os Alpes. A estatueta também pode ser vista na capa do álbum Back to the Egg, sob a lareira.
A contra-capa mostra miniaturas das capas dos doze sucessos, principalmente os singles. No meio, uma fotografia de Paul, Linda e Denny Laine. A fotografia original também teve Jimmy McCulloch e Joe English, mas ambos deixaram a banda no momento em que este álbum foi lançado e foram apagados.

OS OBJETOS ROUBADOS DE JOHN LENNON

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A grande notícia do Mundo Beatle dessa semana é: 
Polícia alemã recupera diários de John Lennon que haviam sido roubados
A polícia alemã recuperou na segunda-feira (20) diários e outros objetos pessoais de John Lennon. Os itens estavam sob posse de um homem de 58 anos, preso em Berlim ao tentar comercializá-los. Os pertences foram roubados em 2006 da viúva de Lennon, Yoko Ono, em Nova York, e foram apreendidos como prova, explicou Martin Steltner, porta-voz da procuradoria de Berlim. O detido, não identificado, está sob vigilância e é suspeito de fraude e posse de bens roubados.
Há outro suspeito, residente na Turquia, que é "inalcançável para nós atualmente", disse Steltner em uma gravação publicada no Twitter. Entre os bens roubados há "vários objetos de John Lennon, incluindo vários diários escritos por ele", apontou Steltner. Os objetos apareceram na capital alemã há cerca de 3 anos e foram confiscados este ano no contexto de uma investigação. Não está claro quando serão devolvidos. John Lennon, como todos sabem, junto com Paul McCartney, criou os Beatles e algumas das obras mais importantes do século XX, foi assassinado em Nova York em 1980. Desde então, seus pertences se tornaram objetos de valor inestimável para colecionadores do mundo inteiro.
Pois bem, quem sou eu para suspeitar de alguém? Ninguém, oras. Mas essa história toda e esse outro suspeito, residente na Turquia, que é "inalcançável para nós atualmente" me fez lembrar de um certo cara, que foi secretário particular de John Lennon e teria roubado vários objetos dele. Essa postagem foi publicada aqui originalmente em maio de 2011 e no ano passado em outubro. Logo aqui embaixo, a gente confere novamente.

FRED SEAMAN - SECRETÁRIO DE JOHN LENNON

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Frederic (Fred) Seaman, nasceu em 10 de outubro de 1952. Ele foi uma das mais controversas pessoas ligadas ao universo dos Beatles. Foi assistente pessoal de John Lennon e Yoko Ono, durante os anos finais do ex-Beatle, quando vivia no Dakota, em Nova York.

Seaman conheceu os Lennon em outubro de 1975 através de uma tia, Helena Seaman, que já tinha sido empregada deles. Pouco tempo depois, precisando de trabalho, renovou sua amizade com eles em 1978. John Lennon estava precisando de um assistente pessoal na época, e vários fatores contribuíram para que Seaman ficasse com a vaga. Primeiro, Seaman era um fã de jazz e pouco sabia sobre a carreira de Lennon nos Beatles. Yoko Ono disse ter realizado uma leitura numerológica dele e e descobriu que ele nasceu no ano chinês do Dragão, e seu aniversário era um dia depois de John. Lennon também ficou impressionado com a maneira como o nome "Fred Seaman" estava diretamente relacionado ao pai dele, Fred Lennon que era marinheiro e Seaman nada mais era literalmente que "marinheiro", "homem do mar".

Durante os 24 meses em que trabalhou no edifício Dakota, Seaman apresentava a Lennon músicas de artistas da época como B-52's que Lennon tinha certeza terem sido inspirados pela música de Yoko Ono. Fred Seaman foi mencionado nas últimas entrevistas de Lennon para a Rádio BBC e da Rádio RKO e seu nome também aparece no encarte de Double Fantasy.

Depois do assassinato de Lennon em 8 de dezembro de 1980, Seaman, deliberadamente teria levado diversos ítens do apartamento no Dakota, incluindo equipamentos de som e diários pessoais de John Lennon. Após sua prisão, Seaman insistiu que Lennon teria especificamente instruído a ele para dar os diários para o seu filho mais velho, Julian, em caso de sua morte. Em 1983, Seaman foi condenado por roubar os diários, que seriam devolvidos à Yoko Ono, e sentenciado a cinco anos.

Em 2002, Seaman também perdeu uma batalha judicial longa e controversa contra Yoko Ono pelo controle de direitos autorais de mais de 300 fotos que ele tirou com uma câmera dos Lennon durante seus serviços.

Seaman é autor de "Os Últimos Dias de John Lennon", um livro que detalha sua época como assessor privado de Lennon (publicado inicialmente em setembro de 1991). Esse livro também foi publicado na Inglaterra, Alemanha, França, República Tcheca e também no Japão.

O livro é considerado polêmico por muitos fãs de Lennon e pesquisadores devido ao retrato que faz do casamento de Lennon e Ono, e e também retrata a vida isolada e muitas vezes infeliz que Lennon vivia no interior dos apartamentos do Dakota. Uma resenha na edição de junho de 1991 afirma: "Seaman revela as minúcias do dia-a-dia da vida Lennon, e o que emerge é um retrato triste de um homem atormentado". Ao publicar a sua história, no entanto, Seaman falhou em cumprir os termos do acordo de confidencialidade assinado desde quando começou a trabalhar para o casal. O livro esgotou-se rapidamente. Desde então, Seaman trabalhou como crítico de jazz por um tempo e nunca mais se ouviu falar dele. 
A maioria das fotos de John tiradas por Seaman foram feitas entre junho e julho de 1980, e mostram John e Sean nas Bermudas.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

THE BEATLES - REAL LOVE - 2017

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"Real Love" é uma música escrita por John Lennon, e gravada pelos outros três Beatles em 1995 para lançamento como parte do projeto The Beatles Anthology. Até à data, foi o último registro divulgado de novos materiais creditados aos Beatles. Lennon gravou seis vezes a música entre 1979 e 1980 incluindo uma chamada "Real Life", que se fundiu com "Real Love". A música foi ignorada até 1988, quando a sexta gravação foi usada na trilha sonora documental do filme Imagine: John Lennon."Real Love" foi posteriormente retrabalhada por Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr no início de 1995 e foi lançada como single dos Beatles em 1996 no Reino Unido, Estados Unidos e em todo o mundo. Foi a última canção "nova" dos Beatles creditada para ser incluída em um álbum. Até à data, foi o último single do grupo a se tornar um hit, entrando na lista de melhores 40 nos EUA. O single chegou ao número 4 e ao número 11, respectivamente, nos gráficos de singles do Reino Unido e dos EUA, e obteve um recorde de ouro mais rapidamente do que alguns outros singles do grupo.Embora "Real Love" tenha sido lançada como single no Reino Unido e nos EUA em 4 de março de 1996, a primeira vez que a música foi transmitida publicamente foi em 22 de novembro de 1995, há exatos 22 anos, quando a rede de televisão americana, a American Broadcasting Company (ABC) exibiu o segundo episódio da série The Beatles Anthology. O single estreou nas paradas britânicas em 16 de março de 1996 no número 4, vendendo 50 mil exemplares na primeira semana. O desempenho do gráfico foi subsequentemente dificultado pela exclusão da BBC Radio 1 de "Real Love" de sua lista de reprodução. A Reuters, que descreveu a Radio 1 como "a maior estação de música pop da Grã-Bretanha", informou que a estação havia declarado: "Não é o que nossos ouvintes querem ouvir... Somos uma estação de música contemporânea". O porta-voz dos Beatles na época, Geoff Baker, disse que a resposta da banda era "Indignação, choque e surpresa. Realizamos pesquisas depois que a Antologia foi lançada e isso revelou que 41% dos compradores eram adolescentes". As ações da estação contrastaram fortemente com o que ocorreu no lançamento de "Free as a Bird" no ano anterior, quando a Radio 1 se tornou a primeira estação a tocar a música nas ondas britânicas. A exclusão de "Real Love" provocou uma reação feroz dos fãs e também provocou comentários de parlamentares britânicos. O deputado Harry Greenway chamou a ação de censura e pediu que a estação revertesse o que ele chamou de proibição. Paul McCartney, muito irritado, escreveu um artigo de 800 palavras para o jornal britânico Daily Mirror sobre a proibição. O controlador da estação, Matthew Bannister, negou que a falta de incluir "Real Love" fosse uma proibição, dizendo que isso significava apenas que a música não havia sido incluída na lista de reprodução de cada uma das 60 músicas mais regularmente apresentadas A estação também bateu de volta ao dedicar uma "Hora do Ouro" à música dos Beatles. Esta tal "Hora do Ouro" encerrava com "Real Love". É mole?"Real Love" caiu das paradas britânicas em sete semanas, nunca atingindo a posição inicial de número 4. Nos Estados Unidos, o single entrou nas paradas em 30 de março de 2006 e atingiu o pico no número 11. Após quatro meses, 500.000 cópias foram vendidas nos EUA. O álbum de compilação dos Beatles Anthology 2, que incluiu a música, acabou por ultrapassar os gráficos de álbuns britânicos e americanos. As versões avulsas de John Lennon aparecem em várias compilações de Lennon, no filme e na trilha Imagine: John Lennon, e também em uma campanha publicitária de 2007 para JC Penney. Em novembro de 2015, a Apple Records lançou uma nova versão de luxo do álbum 1 em diferentes edições e variações (conhecido como 1+). A maioria das faixas foram remixadas dos masters originais por Giles Martin. Martin e Jeff Lynne também remixaram "Real Love" para os lançamentos de DVD e Blu-ray. O remix de "Real Love" limpa mais ainda o vocal de Lennon, e restabelece vários elementos excluídos originalmente gravados em 1995, como frases de guitarra e preenchimentos de bateria, além de tornar o cravo e o harmonium mais proeminentes na mixagem.

DOIS CLÁSSICOS DOS BEATLES FAZEM ANIVERSÁRIO HOJE

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O tempo passa, o tempo voa... e a melhor banda do mundo continua numa boa! O que os álbuns “With The Beatles” e “The Beatles – White Album” tem em comum? Praticamente nada, a não ser pelo fato dos dois terem sido lançados exatamente no dia 22 de novembro. 

With the Beatles foi o segundo álbum dos Beatles, lançado em 22 de novembro de 1963, está completando 54 anos. Foi gravado quatro meses após ser lançado o primeiro álbum, e repetia a fórmula de Please Please Me. Selecionaram-se 7 composições próprias de Lennon & McCartney e incluiu-se novamente 6 covers das prediletas do repertório dos Beatles. George Harrison faz seu debut como compositor - "Don't Bother Me" e com o passar dos anos "All My Loving" firmou-se meio que, carro-chefe do álbum. Confira: THE BEATLES - WITH THE BEATLES

The Beatles, popularmente conhecido como The White Album (O Álbum Branco), por não haver nome, e ter apenas um fundo branco com o nome da banda em relevo. A capa foi criada pelo artista pop Richard Hamilton e o título original era para ser "A Doll's House", mas uma banda britânica chamada Family já tinha lançado um álbum com nome similar. O álbum Branco foi o primeiro disco dos Beatles lançado após a morte do empresário Brian Epstein. Também foi o décimo álbum gravado em estúdio pelos Beatles, lançado em 22 de novembro de 1968, está completando. Este álbum está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame. Em 1997, o Álbum Branco foi nomeado o décimo melhor disco de todos os tempos pela "Music of the Millennium" da Classic FM. Em 1998 a Q Magazine colocou como 17° lugar e em 2000 em 7° lugar. A Rolling Stone colocou como o décimo entre 500 álbuns e o canal VH1 como 11° lugar. De acordo com a Associação da Indústria de Discos da América, o Álbum Branco recebeu 19 vezes discos de platina e foi o décimo disco mais vendido nos Estados UnidosConfira: THE BEATLES - THE WHITE ALBUM - O ÁLBUM BRANCO

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

OS TEXTOS DAS CONTRA-CAPAS DOS DISCOS DOS BEATLES*****

3 comentários:
Uma das curiosidades bacanas que acompanhavam os primeiros álbuns dos Beatles, era que, a contra-capa trazia um texto explicativo – uma resenha – sobre cada um. Esses textos eram comerciais ao extremo, e de tão ingênuos para a época, chegavam a ser bobos e dispensáveis. Era uma prática comum, de uso quase obrigatório, os LPs (Long Plays) como foram batizados os discos de vinil de 10 polegadas no final dos anos 1940, trazerem um texto que tentasse atrair o consumidor de forma definitiva. Embora, cada vez com menos frequência, essa prática ainda perduraria por anos. Quando os Beatles apareceram, não foi diferente. Assim, os responsáveis pelos textos nas capas dos álbuns dos Fabs, eram feitos pelo assessor de imprensa de confiança, contratado por Brian Epstein. Tony Barrow foi o autor dos três primeiros: Please Please Me, With The Beatles e A Hard Day’s Night. Barrow foi o primeiro assessor de imprensa e publicitário dos Beatles. Foi ele que cunhou o indelével apelido “Fab Four” (quatro fabulosos) e ajudou a configurar a visão que o mundo tinha dos Beatles. E foi assim até a explosão de A Hard Day’s Night. Brian achou que os Beatles precisavam de um relações públicas que falasse diretamente ao mercado americano. Para Brian, Derek Taylor era O cara! Barrow continuou colaborando com a Nems, mas também assessorava dezenas de outros artistas. Assim, coube a Taylor escrever o texto do próximo álbum, Beatles For Sale. A partir deste álbum, o uso desses textos foi se mostrando inútil e essa prática foi temporariamente encerrada. De forma que todos os álbuns seguintes dos Beatles (exceto Yellow Submarine) ficaram livres de carregarem esse fardo. Curiosamente, só no disco, que traz a trilha sonora do filme Yellow Submarine, lançado em 17 de janeiro de 1969, tornou a aparecer outro desses textos que, deveria ter sido escrito por Derek Taylor que acabou dando uma de João-sem-braço e publicou uma crítica pronta de um tal Tony Palmer, do “London Observer” que, na verdade, era sobre o “Álbum Branco”. É importante nunca esquecer, que, como bem disse o amigo Valdir Junior na postagem sobre Tony Barrow, numa época distante onde ainda nem se imaginava sonhar com a internet e a informação era mínima, esses textos eram ouro! E agora, com a mais absoluta exclusividade de sempre e a beleza plástica que só o Baú do Edu tem, a gente confere aqui esses cinco textos, na íntegra, tal e qual foram publicados, sem correções ou atualizações de português.
A música “pop" é um movimento contagiante, nos dias de hoje. Os Beatles foram notados musicalmente, em outubro de 1962. Como revisor de discos, meu natural interesse pelo grupo impediu-me de tomar partido em seu primeiro sucesso. Dezoito meses antes da primeira visita deles aos estúdios EMI, em Londres, os Beatles já tinham sido eleitos os favoritos de Merseyside, e era inevitável que seu primeiro disco Parlophone, “LOVE ME DO", entraria diretamente em 1° lugar no “hit parade" local, em Liverpool. As chances do grupo de entrar na parada nacional de sucessos pareciam muito remotas, pois nenhum outro conjunto havia reunido os “best sellers” através de gravação em disco. Mas acontece que os Beatles fizeram história desde o início, e “LOVE ME DO" vendeu muitas cópias em suas primeiras 48 horas, subindo para os primeiros lugares do “hit parade" do país. Em tantos anos de trabalho, nunca vi um grupo britânico tomar a dianteira com tamanha rapidez. Nos seis meses que se seguiram à apresentação de “LOVE ME DO” entre as “20 mais", quase todos os jornais do país, que falavam de música, começaram a fazer elogios aos Beatles. Os leitores do “New Musical Express” elegeram os rapazes, o grupo mais popular, colocando-os, surpreendentemente, nas pa­radas, baseados, apenas, no lançamento de um disco. (1962/1963). As fotografias do grupo foram estampadas nas primeiras páginas de três jornais especializados no assunto. Todo mundo se interessou pelos novos sons vocais e instru­mentais que os Beatles haviam introduzido na música. Brian Matthew (que havia apresentado os Beatles a milhões de expectadores e ouvintes em seus programas, “Thank Your Lucky Stars", “Saturday Club” e “Easy Beat”) descreve o quar­teto como visualmente e musicalmente o mais excitante e com­pleto grupo que apareceu desde THE SHADOWS. Revendo-se ou se produzindo disco, não se pode fazer pre­visões a longo prazo quanto ao seu sucesso. O hit parade nem sempre consegue manter as execuções mais notáveis do dia e por isso não se deve presumir que a versatilidade conta para tudo. Durante a gravação de um programa na Rádio Luxemburgo, na série EMI FRIDAY SPECTACULAR, convenci-me de que os Beatles estavam preparados para desfrutar da fama que os colocaria, merecidamente, em primeiro lugar. O auditório de jovens não conhecia a relação dos artistas e dos conjuntos que iam apresentar-se, e, quando Muriel Young começou a chamar os Beatles pelos seus primeiros nomes, John... Paul... o resto de sua apresentação foi sufocado por frenéticos aplausos. Não tenho a mínima idéia de que qualquer outro conjunto — Britânico ou Americano — pudesse ser tão prontamente identificado e bem acolhido só pelo anunciar de dois nomes. Para mim, esta foi a prova fundamental de que os Beatles (e não apenas 1 ou 2 de seus discos de parada de sucesso) haviam chegado ao ponto máximo de popularidade, reservado aos poucos privilegiados do reino do disco. Logo depois, os Beatles provaram sua força pop, quando saltaram de uma colocação mais baixa do “hit parade” para os "10 mais” do país, com seu segundo compacto simples “PLEASE PLEASE ME”. Este disco de vendagem rápida continuou a surpreender todos os competidores quando saltou para o ambicioso primeiro lugar no final de fevereiro. Mais de 4 meses depois do lançamento de seu primeiro disco, os Beatles tornaram-se os maiores recordistas de vendagens. O produtor George Martin nunca teve dificuldade na esco­lha das canções para os Beatles. John Lennon e Paul McCartney têm suas próprias composições populares, já prontas, para aten­der ao mercado de discos até 1975. Entre eles, os Beatles adotam o slogam “faça você mes­mo”. Eles fazem suas próprias letras e seus próprios arranjos vocais. A música dos Beatles é impetuosa, pungente, desini­bida, quente e exclusiva. O slogan “faça você mesmo’ assegura completa originalidade da música. Embora tantas pessoas achem que os Beatles têm um estilo transatlântico, sua única influência real foi a singular mar­ca do Rhythm and Blues, música popular que sobressai no Merseyside e que os próprios Beatles têm ajudado a promover desde sua formação, em 1960. Este LP compreende 8 composições de Lennon-McCartney associadas a 6 (seis) outras que se tornaram as favoritas do variado respertório dos Beatles. A admiração do grupo pelo trabalho de The Shirelles é demonstrada pela inclusão de BABY IT'S YOU (John faz o solista vocal com George, e Paul faz a harmonia), e BOYS (que permite ao baterista Ringo fazer sua primeira apresentação como vocalista). ANNA, ASK ME WHY e TWIST AND SHOUT que também destaca John como solista, enquanto DO YOU WANT TO KNOW A SECRET joga o spotlight em George, como na apresentação ao vivo. MISERY pode soar como um dueto próprio criado pela multigravação de uma única voz... mas o efeito é produzido pelas vozes de John e Paul. Há somente um “trick duet” que está em A TASTE OF HONEY, destacando uma voz dupla de Paul. John e Paul ficam juntos em THERE'S A PLACE e I SAW HER STANDING THERE, e George junta-se a eles em CHAINS. LOVE ME DO e PLEASE PLEASE ME. TONY BARROW
Neste fabuloso LP podem ser ouvidos quatorze lançamentos recentemente gravados, incluindo muitos shows favoritos. Os Beatles repetiram a mesma fórmula que tomou seu primeiro LP “Please Please Me" (Por favor, agrade-me) o LP mais rapidamente vendido em 1963. Selecionaram nova­mente oito de suas composições originais, paralelamente a outras seleções do repertório de gravação da R. & B. Americana, dos artistas que mais admiram. A metade da primeira parte tem o firme comando de John, na execussâo vibrante de “It Won't Be Long Now", seguem mais duas composições de Lennon/McCartney, a dupla notável de artesãos do som, cantando seus próprios temas em ALL l’VE GOT TO DO e ALL MY LOVING (Tudo que me resta fazer e Todo meu amor). No primeiro número, mais lento, John lidera a parte vocal enquanto Paul cuida da harmonia. Em ALL MY LOVING, Paul vocaliza sob a luz dos refletores, e John e George fazem a parte do Coro. É algo soberbo ouvir o solo típico de guitarra tocado por George, especialmente em ALL MY LOVING. DONT BOTHER ME (Não me perturbe) marca o debut de George Harrison no mundo do disco como compositor. É uma peça de ritmo acelerado, com um tema musical ca­tivante. Apoiando a voz marcante de George, o restante do quarteto cria alguns efeitos instrumentais fora do comum. Paul consegue tirar um som surdo e oco de seu instrumento, John toca o tamborim e Ringo um bongô árabe (não pergun­tem onde o conseguiu), dando cada um o máximo de si ao conjunto. Em um número apreciável de gravações anteriores dos Beatles, o Produtor George Martin fez parte do grupo, e combinou então os sons do piano aos arranjos instru­mentais. Em LITTLE CHILD (Criancinha) porém, é Paul McCartney quem toca ao piano. A parte vocal deste rock é formada por John e Paul, enquanto Paul acompanha pequenos trechos ao piano e John usa outro microfone para acrescentar pequenas frases musicais intercaladas, com um órgão de boca. Quem considera a interpretação de Paul em A TASTE OF HONEY (Um gosto de mel) uma das melhores do primeiro LP, ficará felicíssimo ao ouví-lo novamente interpretando uma balada romântica em TILL THERE WAS YOU (Enquanto havia você), o sucesso do show “The Music Man". Nesta faixa Ringo faz o fundo musical com o bongo para o solo de Paul, enquanto George e John tocam as guitarras acústicas. Paul é o único a usar instrumento elétrico, fa­zendo pulsar melodiosamente o baixo. Se você já leu multo comentário musical da imprensa sobre o “Merseyside”, conjunto rítmico da boate “The Cavern”, pensou que provavelmente o grupo de Liverpool deveria ocupar o programa Inteiro. A direção cativante dada por Paul a TILL THERE WAS YOU era um sucesso no local antes mesmo da época de “LOVE ME DO" (Ama-me), quando os Beatles foram campeões de bilheteria nesta boite atual­mente famosa. A primeira parte termina com um número que já foi anteriormente sucesso do grupo “The Marvelettes", chama­do “PLEASE, MR. POSTMAN" (Por favor, Sr. carteiro), so­bressaindo a dupla faixa de John Lennon, acompanhado pelas vozes de George e Paul. O ROLL OVER BEETHOVEN (Variações sobre Beethoven) de Chuck Berry tem sido um dos números mais citados em performances dos Beatles. George faz dueto consigo mesmo, e os outros rapazes contribuem para a atmosfera de euforia contagiante batendo palmas ritmadamente. Segue-se a faixa alegre de Paul HOLD ME TIGHT (Abraça-me fortemente), segunda da face B, com ritmo de palmas mais o acompanhamento vocal enérgico de John e George. Os Beatles têm grande admiração pelo grupo rítmico ameri­cano “The Miracles", e na interpretação de YOU REALLY GOT HOLD ON ME (Você realmente me conquistou) John e George atacam agressivamente a parte vocal, e Paul junta-se a eles nos trechos do Coro. Incidentalmente, é George Martin o pianista nesta faixa, com a qual os Beatles prestam uma homenagem ao The Miracles. Observando o entusiasmo tremendo despertado por Ringo sempre que interpreta BOYS (Rapazes), John e Paul jun­taram seu talento com o fim de produzir um número espe­cial para a voz quente do baterista. Resultou daí o deli­rante I WANNA BE YOUR MAN (Quero ser seu). John Lennon toca o órgão Hammond, fazendo o acompanhamento. Ainda que sejam menos conhecidos na Europa que outros grupos tais como The Crystals ou The Shirelles, o grupo feminino “The Donays” sempre foi respeitado pelos Beatles, profissionalmente falando. Por conseguinte, participam deste número de ritmo compassado, oferecendo-o a George Harrison. John e Paul fazem a parte da harmonia, e Ringo acompanha com suas maracas. A composição final é de Lennon/McCartney, na qual se destaca a dupla faixa com John Lennon cantando NOT A SECOND TIME (Não outra vez). O Trabalho de George Martin ao piano sobressai neste e no número final do LP, MONEY (Dinheiro). Paul descreve MONEY como “A really big screamer” (um estouro), e recorda as várias ocasiões em que esta apre­sentação provocou a mesma euforia que Twist and Shout. MONEY foi bastante gravado no mercado americano do blue. John canta agressivamente a letra, com sentimento e força expressiva, enquanto George e Paul dão as respostas ao tema. MONEY é o clímax perfeito para este LP fora de série. Espero que não o deixe sem fôlego, e que consiga voltar à face A e repita a dose com os “OS BEATLES". TONY BARROW
Alun Owen iniciou o trabalho desta original peça para o cinema, não faz muito tempo. O produtor Walter Shenson e o diretor Richard Lester observaram seus mais novos astros da tela atuarem durante o Natal e Ano Novo, no palco do Astoria do Finsbury Park de Londres. John e Paul iniciaram uma coleção de novas composições para a trilha sonora, ao mesmo tempo que "The Beatles" se apresentavam no Olympic de Paris. Uma manhã, algum tempo depois, num trem especialmente fretado, iniciou-se a carreira cinematográfica de "The Beatles". Carretel sobre carretel de precioso filme já enchiam as latas, antes mesmo que fosse selecionado um título para este filme da United Artist. Foi quando Ringo, casualmente, surgiu com o nome ao fim de uma agitada sessão no set de filmagem: "É a noite de um dia duro!" — declarou ele, agachando-se sobre o braço de sua cadeira de lona, atrás das fileiras de câmeras e técnicos. É uma estória que se desenrola dentro das 48 horas consecutivas das atividades de quatro rapazes do grupo dos "beat". São eles: John, Paul, George e Ringo. A canção "A Hard Day's Night" ouve-se logo no princípio do filme, cantada e tocada pelos rapazes, à medida que vão passando as legendas de abertura. Este número apresenta a voz de John dublada, produzindo um efeito de dueto. Seu tema de grande vivacidade e impulsão, brota de forma orquestral de vez em quando. "I Should Have Known Better" se ouve durante uma sequência do trem, quando os quatro rapazes estão jogando cartas no vagão do condutor. John e Paul coparticipam da vocalização em "If I Feel", a primeira de quatro músicas apresentadas em sequência de teatro e estúdio, e que mostram o grupo ensaiando para finalizarem com uma apresentação espetacular numa televisão. "I'm Happy Just to Dance With You", dá uma oportunidade a George de conduzir a parte vocal. Com "I Love Her", Paul evidencia o solo; juntamente com John fazem "Tell Me Why". O último destes magníficos números da trilha sonora é "Can't Buy Me Love"; um sucesso mundial com "The Beatles". Já "A Hard Day's Night" faz o fundo musical para diferentes cenas — quando, por exemplo, os rapazes aparecem perseguidos através de um campo, após uma fuga rápida do estúdio de televisão; e a incrível e furiosa corrida entre os "Beatles", seus fans e a polícia, pelas ruas e alamedas abaixo. Criando e aperfeiçoando inteiramente novas composições para a trilha sonora do filme a que temos nos referido, Paul e John apresentam um dos maiores desafios de sua carreira de compositores de músicas populares. No passado compunham sem qualquer pressa. Há pouco tempo, com programa de trabalho dentro de um horário que lhes parecia cada vez mais curto, e uma coleção de novos números para serem selecionados durante uma série de apresentação em Paris, e ainda com uma lendária visita à América. Para ajudar nos ensaios eles mandaram colocar um piano no seu apartamento do hotel George V de Paris. Em breve a tarefa fora completada e "The Beatles" eram possuidores de nada menos de doze novas composições prontas para o último ensaio. A cada novo estágio de concepção e produção, cuidavam para que o filme não viesse a ser apenas uma, ou mais uma parada de representações de "The Beatles". Afinal de contas, haviam concordado entre eles que o filme deveria retratar as diferentes facetas da personalidade de cada um deles, o mais que possível. Com efeito, o conteúdo cômico foi e é de suma importância; e John, Paul, George e Ringo aproveitaram todas as oportunidades para mostrarem seu senso de humor. Ficou evidente que não mais de seis novas gravações seriam inseridas no filme, pois um maior número deixaria pouco tempo para a ação do enredo. Por outro lado, não parecia muito justo deixar de lado as músicas restantes, quando cada uma delas possuía suas grandes qualidades. Eventualmente, tomaram a decisão de incluir essas peças no lado dois deste disco. Embora a voz de George Harrison esteja bem evidenciada neste LP, a parte vocal no lado dois está equilibrada entre John e Paul, os compositores das canções. Paul canta em "Things We Said Today", e o escutamos em dueto com John em "I'll Cry Instead". Durante a parte principal, a voz de John é a que predomina em "Any Time At All", "When I Get Home", "You Can't Do That" e "I'll Be Back", ainda que George e Paul envidem seus esforços em todas elas. Ao ouvir o lado 2 deste disco, você concordará que seria uma pena se se tivesse deixado de lado tão excelentes músicas, simplesmente pelo fato de não terem entrado no filme. Agora, com este LP você terá uma série de grandes sucessos de "The Beatles", ampla e atual. Ao mesmo tempo, é sempre bom lembrar que este é o primeiro LP com músicas compostas e interpretadas por "The Beatles". TONY BARROW
Este é o quarto LP dos Beatles. “PLEASE PLEASE ME”, “WITH THE BEATLES”, “A HARD DAY’S NIGHT”. Eis os três. E agora... “BEATLES FOR SALE”. Os Beatles à venda. Não quer dizer que os Beatles estejam à venda. Mesmo porque não há dinheiro que pague. Trata-se apenas do LP, e este você pode comprar. O dinheiro não é tudo. Há uma história inestimável entre estas capas. Nenhum de nósestá ficando mais novo. Quando, daqui a 20 anos ou maiscriança, entendidaem música, estiver num piquenique em Saturno, e lhe perguntar quem eram os Beatles - “Você os conheceu à época? - não tente explicar tudo sobre os cabeludos e sua turbulência! Basta à criança tocar algumas faixas deste LP e logo entenderá tudo. Os jovens do ano 2000 extrairão da música mais sensação de bem-estar e ardorque sentimos hoje, porque a mágica dos Beatles, desconfio, não tem limite de tempo nem idade. Ela venceu todas as barreiras. Acabou com todas as diferenças de raças, idades e classes. É venerada pelo mundo inteiro. Este LP tem alguns números agradáveis da música Beatle. Tem, por exemplo, oito novos títulos trabalhados pelos incomparáveis John Lennon e Paul McCartney, e mais 6 números que foram escolhidos da riqueza rítmica da extraordinária década passada, entre elas composições como KANSAS CITY e ROCK AND ROLL MUSIC. Maravilhoso. Muitas horas de trabalho árduo foram gastas na produção deste LP. Não é uma mistura de vale-tudo para ganhar dinheiro. No mínimo, 3 canções de Lennon & McCartney foram seriamente consideradas como lançamentos de compactos simples, até que John apareceu inesperadamente com “I FEEL FINE”. Estas três foram “EIGHT DAYS A WEEK”, “NO REPLY” e “I’M A LOSER”. Cada uma teria estourado os primeiros lugares, mas estão como adorno e um exemplo para outros artistas. Como em outros Lps, os Beatles levaram mais tempo com o sucesso do que o mercado exige normalmente. Há alguns truques de gravação que os Beatles e seu produtor, George Martin, introduziram, com algumas inovações, tais como: Paul num órgão Hammond, em MR. MOONLIGHT, e, pela primeira vez, George Harrison tocando um velho tambor africano, porque o baterista Ringo estava tocando bongô. O tambor de George continuou na trilha sonora, mas o bongô de Ringo foi retirado depois, na mixagem. Ringo toca tímpano, em EVERY LITTLE THING, e na faixa ROCK AND ROLL MUSIC, George Martin junta John e Paul no mesmo piano. Em WORDS OF LOVE, Ringo aparece tocando caixa. Além disso, é um disco confeccionado em 1964. O melhor do seu tipo no mundo. Há pouca coisa ou nada neste LP que não possa ser reproduzido no palco, embora os estudiosos e críticos da música “pop” saibam que nem sempre é o caso. Ei-lo, afinal. Ainda é o melhor LP, inteiramente definido: John, Paul, George e Ringo - cheio de tudo que fez dos quatro a maior atração que o mundo já conheceu. Para aqueles que gostam de saber qual o desempenho de cada um neste LP, há detalhes ao lado,dos títulos e nas músicas. DEREK TAYLOR
“Meu nome é Derek, ou seja, como mamãe me chamava; de fato, não é um grande nome, exceto que é o meu próprio. Gostaria pois de dizer que fui convidado a tecer os comentários para o álbum “Yellow Submarine”. Derek Taylor ex-divulgador |unto à imprensa para os Beatles; ele o foi depois nos Estados Unidos, hoje, ao tempo destas notas, é o seu homem de imprensa para a América. Dêsse modo, quando foi convidado a escrever algumas notas para “Yellow Submarine” concluiu que não só não tinha nada de novo que dizer sobre os Beatles de quem também é ardoroso fã - como o fato de ser muito bem pago por êles não o deixava inteiramente livre para usar de raciocínio crítico imparcial. De qualquer forma, seu desejo mesmo era que o público que se deliciou com “Yellow Submarine” também fosse prestigiado com êste magnífico álbum. Dêsse modo, aqui temos: não comprado, não influenciado, sem retoques, desvinculado, puro e um tanto auspicioso, o comentário dêste álbum Apple/EMI, dos Beatles, por Tony Palmer, do “London Observer” - jornalista e cineasta de nomeada. 
O "ÔLHO-DE-BOI" DOS BEATLES
Se ainda resta dúvida sôbre serem Lennon e McCartney os expoentes máximos da criação musical desde Schubert, o lançamento dêste álbum vem significar uma varrida nos últimos vestígios de vaidade cultural e preconceito burguês com um dilúvio de composições que apenas os incultos deixarão de apreciar, e só os surdos dêle não se aperceberão. Traz o simples título de THE BEATLES (BTX 1005/6), num envol­tório singelamente branco, cujo adôrno são os nomes das canções... e aquelas quatro faces, que para alguns representam a ameaça da juventude de cabelos longos; para outros, a luta desesperada e aparentemente sem fim contra aquêles cínicos — os chamados “superiores”. Nos olhos dos Beatles, bem como em suas criações, vislumbra-se, como num espelho, o frágil e fragmentário da sociedade que os patrocina, representa, interpreta, faz-lhes exigências, e os pune quando fazem o que os outros consideram errado. Paul, sempre esperançoso e pensativo; Ringo, sempre o filhínho da mamãe; George, o “terror local”, hoje “o bom rapaz”; john, ensimesmado, tristonho, mas possuidor de uma inteligência lúcida, não turbada pelo que a moralidade organizada lhe lança à conta. São êles os nossos legítimos heróis, e melhores do que merecemos. Não é como se os Beatles sempre visassem a tal louvor. A qualidade superior das 30 novas canções das alegrias simples da vida dêles. O lirismo de seus versos transborda em fulgurantes lampejos, e tal é seu magnetismo, que é impossível resistir-lhes. Quase tôdas as faixas se conduzem num crescendo; vividas, descui­dadas, indiferentes, leves. O tema varia, desde porcos ("Você viu os mais rotundos leitões/ Em camisas brancas e engomadas”) até o teor daquele filme de sábado à tarde ("£le desistiu da caçada ao tigre com seu fuzil para elefante/Para o caso de acidente, sempre levava a mamãe”); desde (“Porque não o fazemos na estrada") até os (“Fungos comestíveis do Savoy"). A habilidade na orquestração desenvolve-se com precisão calculada. A orquestra inteira, metais, violino, carrilhão, saxofone, órgão, piano, cravo, todo tipo de percussão, flauta, efeitos sonoros; tudo com equilíbrio e, daí, com habilidade. Suprimiram-se, ou melhor, ignoraram- se dispositivos eletrônicos em favor da musicalidade. Referências ou cotações, desde Elvis Presley, Donovan, The Beach Boys e outros, são tecidas dentro duma aura que os tornou os “tapeceiros persas” da música popular. Está tudo aqui, apenas apure o ouvido. Lennon canta “Contei-lhes dos campos de morango” e “Falei-lhes do tôlo lá na colina" — o que resta? Os Beatles são antes habilidosos que virtuosos instrumentistas. Sua execução conjunta, porém, é intuitiva e admirável. Eles dobram e retorcem ritmos e frases musicais, com aquela unânime liberdade que dão às suas aventuras harmônicas; o frenesi da expectativa e do imprevisível. As vozes — e a de Lennon em particular «*- são mais um instrumento: lamentoso, estridente, zombeteiro, choroso. Há uma tranqüila determinação de escaparem da falsa intelectualização que usualmente os cerca e à sua música. A letra é quase sempre deliberadamente simples — assim é a composição Aniversário, que encerra versos como “Feliz aniversário para você"; outra em que é repetido “Boa-noite"; ainda outra expressa: “Estou tão cansado, não consegui pregar o ôlho". A música é, igualmente, despojada de tudo, exceto da mais pura harmonia e ritmo — de sorte que aquilo que resta é um prolífico jôrro de melodia, criação musical de inequívoca clareza e beleza. A ironia e mordacidade que têm emprestado à sua música uma dificuldade e um limite, ainda está borbulhante — “Lady Madonna tentando viver dentro de suas posses — sim/Olhando através de óculos de cebola". A severidade de imaginação é ainda um tanto mais dura: “A águia bica meu ôlho/O verme que corrói meu osso”. “Nuvens negras, negros pássaros; asas partidas, lagartos, destruição". E a mais grotesca, uma extraordinária faixa que se chama apenas Revo­lução 9 e encerra efeitos de som, murmúrios ouvidos ao a£aso, formalis­mo retrógrado, sons discordantes de lembranças subconscientes de uma civilização que se debate. Cruel, paranóica, inflamada, agonizante, sem esperança, é-lhe dada forma pôr meio de uma voz anônima de bingo, que apenas segue repetindo: “Número nove, número nove, número nove”, até que você sente vontade de gritar. A melancolia acumulada reflete-se inteiramente em suas maneiras, como um véu purpúreo de irreal otimismo — fulgurante, inacessível, afetuoso. Por fim, tudo o que você tem a fazer é levantar-se e aplaudir. Qualquer que seja a medida do seu gôsto da música popular, você o satisfará aqui. Se julga qife música popular é Engelbert Humperdinck, creia, os Beatles foram um pouco mais além — sem sentimentalismos, mais apaixonadamente. Se pensa que o popular é rock’n'roll, saiba que êles o aprimoraram ainda — nas praias distantes da imaginação, ainda não palmilhadas por outros. Este álbum lhes consumiu cinco meses para o preparo, e, para o caso de você achar que foi muito lento, saiba que desde sua conclusão até a data destas linhas compuseram outras 15 canções. Nem mesmo Schubert trabalhou nesse ritmo.

RINGO STARR - STOP AND SMELL THE ROSES

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PAUL McCARTNEY & WINGS - JUNIOR'S FARM - DEMAIS!

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BRAINWASHED - O ÚLTIMO ÁLBUM DE GEORGE HARRISON

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"Brainwashed" foi o 12º é último álbum de estúdio do nosso querido George Harrison. Foi lançado em 19 de novembro de 2002, quase exatamente um ano depois da passagem de George deste mundo material. Brainwashed é uma bela coleção de canções escritas por Harrison, e tecnicamente um conjunto póstumo, já que foi lançado quase um ano após sua morte, depois uma batalha épica contra o câncer. As músicas são cheias de progressões de acordes ágeis, bom gosto de slides de guitarra solos, harmonias vocais e quentes - mas Brainwashed não existiria se não fosse os esforços do produtor-multi instrumentista (e colaborador de Harrison de longa data) Jeff Lynne e Dhani Harrison, único filho de George. As sementes de Brainwashed foram plantadas em 1988, quando Harrison escreveu originalmente "Any Road", canção que "nasceu" durante a sessão de gravação do vídeo "This Is Love" do seu álbum "Cloud Nine", de 1987. O amigo e produtor Jeff Lynne havia recuperado para George, sua posição comercial e de crítica, e seguiu-se o projeto formando o supergrupo Traveling Wilburys (junto com Bob Dylan, Roy Orbison e Tom Petty), que lançou dois álbuns ao longo dos próximos anos. Por todo esse tempo, "Brainwashed" permaneceu guardado, e seu progresso natural foi interrompido pelo de diagnóstico de que Harrison estava com câncer na garganta em 1997, e depois que ele sofreu um ataque de faca de um fã mentalmente instável em 1999. A doença se espalhou rapidamente para os pulmões e, finalmente, o cérebro, quando Harrison ainda retomou sua música, mantendo instruções específicas sobre como as faixas e produção deveriam ser realizadas, mesmo gravando melodias vocais destinados como arranjos de cordas. Após a morte de George, em 29 de novembro de 2001, Lynne e Dhani Harrison assumiram a produção do álbum e trabalharam duro para completarem as músicas da forma como Harrison havia especificado.

Apesar de ser um disco póstumo, Brainwashed nem por um segundo - se parece com uma estranha colcha de retalhos como muitas vezes ocorre com outros artistas. Lynne, normalmente conhecido por suas grandiosas produções sinfônicas com a ELO, manteve as músicas quase como foram escritas, permitindo que o charme sem pressa e o bom humor elegante da escrita de Harrison respirassem livremente - como "P2 Vatican Blues" ou a suavemente atmosférica "Stuck Inside a Cloud". Dhani Harrison disse durante uma entrevista em 2002: 
"O álbum foi muito catártico para mim. Foi feito no momento certo. Eu lidei com muito do presente, como aconteceu e nunca me esquivei de qualquer realidade do que estava acontecendo ao longo dos últimos anos. Fazer as gravações foi ótimo e maravilhoso e muito triste também ... Foi uma coisa muito positiva tê-lo feito logo após sua morte". Apesar de já ter se passado 15 anos de seu lançamento, "Brainwashed" continua sendo um excelente álbum, melodioso e de raro bom gosto - um canto de cisne amoroso de um dos melhores talentos do rock.

Composto por 12 faixas, o álbum traz 11 canções inéditas e a regravação de "Between The Devil And The Deep Blue Sea", ‘standard’ de Harold Arlen e Ted Koehler, de 1930, destacando "P2 Vatican Blues (Last Saturday Night)", "Rising Sun" e "Never Get Over You", canções que mais se aproximam de sua obra prima de 1970, o clássico "All Things Must Pass", além de "Stuck Inside A Cloud", primeiro ‘single’ de "Brainwashed" e claro, da faixa título. "Brainwashed", acabou se tornando um de seus melhores trabalhos. Iluminado por enorme serenidade e leveza, o CD revela a atitude única de George diante da morte – chega a dar a impressão de que ele canta as músicas sorrindo. No final, ele faz ecoar o mantra: “Shiva Shiva Shankara Mahadeva".

Participaram efetivamente em todas as faixas: George Harrison - Vocais, guitarra solo, guitarra base, guitarra slide, violão, baixo, ukelele, dobro, teclados, percurssão e backing vocals; Jeff Lynne - Baixo, guitarra elétrica, violão, piano, teclados e backing vocals; Dhani Harrison - Violão, piano elétrico e backing vocals e Jim Keltner - Bateria. E também os músicos adicionais: Mike Moran - Teclados (Pisces Fish); Marc Mann - Teclados (Pisces Fish), arranjo de cordas (Marwa Blues); Ray Cooper - Percurssão (Marwa Blues), bateria (Between the Devil and the Deep Blue Sea); Jools Holland - Piano; Mark Flannagan - Violão solo; Joe Brown - Violão; Herbie Flowers - Baixo e Tuba (Between the Devil and the Deep Blue Sea) e Bikram Ghosh - Tabla, Jon Lord - Piano; Sam Brown - Backing vocals, Jane Lister - Harpa e Isabela Borzymowska - leitura de "How To Know God" (The Yoga Aphorisms of Patanjali) na faixa-título "Brainwashed".

domingo, 19 de novembro de 2017

GEORGE MARTIN ORCHESTRA - "HELP!" - 1965

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Sir George Martin foi o produtor, arranjador e mentor dos Beatles, que assinou com eles para a EMI e trabalhou praticamente em quase todas as músicas que o grupo produziu ao longo de sua carreira. Em virtude de seu trabalho como produtor dos Beatles, tinha algo como uma trilha interna em termos de dar uma outra olhada nas novas músicas criadas por John Lennon e Paul McCartney. Juntamente com seu conhecimento íntimo do modo de trabalho do grupo, pensaria - ou, pelo menos, suspeitaria - de que essas próprias interpretações das músicas dos Beatles valeriam a pena ser ouvidas, mais do que, digamos, as de outras orquestras, tais como como a 101 Srings e outras tais quais. Assim, seguindo o caminho do sucesso da trilha sonora de Help! - produziu em 1965, um álbum homônimo com sua orquestra, o segundo de uma série de álbuns de Martin com arranjos instrumentais das músicas do Beatles. Ao contrário de seus outros álbuns, o lançamento no Reino Unido não não foi pela Parlophone, mas pelo selo Studio 2 Stereo, da Columbia Graphophone, irmã da EMI. A contra-capa do álbum, traz um pequeno texto escrito por Brian Epstein que não poupa elogios ao produtor de seus rapazes. “George Martin é um técnico notável, e também um artista. Seus arranjos e sons são para o fundo e também para serem ouvidos por aqueles que colecionam o melhor”.