terça-feira, 16 de janeiro de 2018

PAUL McCARTNEY - GOT TO GET YOU INTO MY LIFE - SENSACIONAL!

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Quando surgiu, em agosto de 1966, no álbum Revolver, poucos desconfiaram que "Got to Get You into My Life" não se tratava apenas de mais uma historinha de amor de um rapaz tentando colocar uma garota em sua vida. Somente tempos depois, soube-se que o "rapaz", o protagonista da canção era o próprio autor e que a "garota" era uma tal de Maria Joana - a danada da maconha.
"Got to Get You into My Life" foi lançada como single nos EUA somente em 1976, uma década depois de seu lançamento inicial e seis anos depois da separação oficial do grupo para promover o álbum "Rock And Roll Music". Foi gravada em Abbey Road entre 7 de abril e 17 de Junho de 1966 e evoluiu consideravelmente entre a primeira tomada e a versão final lançada no álbum. Chegou ao # 7 na Billboard Hot 100. Também foi gravada por Cliff Bennett and The Rabel Rousers numa versão que chegou ao Top 10 nas paradas britânicas em 1966.
A canção foi escrita por Paul, que queria copiar o som da Motown recém-desenvolvido pelo time de compositores-produtores Holland-Dozier-Holland, que trabalhavam para o grupo The Supremes. John acreditava que, ao mencionar "another kind of mind" nas letras, Paul estivesse aludindo às suas experiências com drogas. Ele confirmou ser isso mesmo. Era um hino de louvor à maconha disfarçado de canção de amor. Não era de uma mulher que ele precisava todo dia, era de um baseado.
No livro livro "Paul McCartney: Many Years From Now", de Barry Miles, McCartney revelou que a canção era sobre a maconha . "Got To Get You Into My Life foi uma que eu escrevi quando tinha sido previamente introduzido à erva... Então, é realmente uma música sobre isso, não é para uma pessoa. É realmente uma ode à maconha, como alguém pode escrever uma ode ao chocolate ou um bom vinho tinto".
Sobre a música, Thomas Ward da Allmusic disse: "McCartney sempre foi um grande vocalista, e este é talvez o melhor exemplo do seu potencial vocal em Revolver. Uma das preciosidades do álbum". Quando questionado sobre a canção em sua entrevista à Playboy em 1980, John Lennon disse: "É Paul novamente. Acho que foi uma de suas melhores canções, também".

Quem participou da gravação? Paul fez os vocais com a voz dobrada e o baixo; George Martin tocou o órgão. George Harrison – guitarra solo, Ringo – bateria e John Lennon, pandeiro (segundo o livro de Jeff Russel – Gravações Comentadas). O fundo de metais foi executado por Eddy Thornton, Ian Hammer e Les Conlon nos trompetes e Alan Brascomble e Peter Coe nos saxofones. A superbanda Earth, Wind & Fire regravou "Got to Get You into My Life" para o álbum com a trilha sonora do filme Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band em 1978. Também lançaram como single e apareceu no álbum The Best of Earth, Wind & Fire, vol. 1. Essa versão alcançou o número 1 na Hot Soul Singles e número 9 na parada de singles Hot 100 da Billboard. Ganhou um Grammy como Melhor Arranjo Vocal/Instrumental Acompanhado e também recebeu uma outra indicação como Melhor Performance Pop.
"Got to Get You into My Life" também foi gravada por Johnny Hallyday, The Four Tops, Blood, Sweat & Tears, Diana Ross & The Supremes, Thelma Houston, Syesha Mercado, Courtney Murphy, Matt Corby, Daniel Johnston, Matthew Sweet and Susanna Hoffs, Ella Fitzgerald, The Jazz Detectives, Joe Pesci, The Baby Dolls, Chris Clark, Chicago, Ali Campbell, Koritni entre outros menos cotados.

THE BEATLES - ROCK 'N' ROLL MUSIC - O ÁLBUM

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Pode-se dizer com certeza, que 1976 foi quase “o ano da volta dos Beatles”. O empresário Sid Bernstein fez uma proposta milionária para que eles se reunissem de novo, e a EMI lançou todos os LPs e compactos novamente. Além de um monte de coletâneas bobas que viriam depois (Love Songs, Ballads, Reel Music, etc.) ROCK 'N' ROLL MUSIC foi a primeira delas.
Em janeiro de 1976, os 9 anos de contrato dos Beatles com a EMI expirou. Assinado em 1967, deixava com a EMI os direitos de lançar qualquer disco dos Beatles, além de relançar quando bem entendesse toda a sua discografia. "Rock'n'Roll Music" foi o primeiro desta nova safra, e a primeira coletânea a abordar um só tema (Rock and Roll) num disco dos Beatles. Este álbum duplo, de capa dupla, idealizado por Roy Kohara e ilustrado por Ignacio Gomes, provocou polêmicas entre os fãs mais conservadores que compravam qualquer coisa "nova" dos BeatlesDas 28 músicas, 20 são da fase 63/66, e 8 são covers. É de se estranhar porque músicas como "Got To Get You Into My Life" (um Soul) e "The Night Before" (bem mais pop do que rock) neste disco de rock. Por que não "I've Got a Feeling" ou "One After 909" ou "Everybody's Got Something To Hide except me and my monkey"? Estanhamente, a versão de "Get Back" não é a completa do single, mas a do álbum Let it Be, produzida por Phil Spector sem o falso final. As 4 músicas do EP "Long Tall Sally" aparecem aqui em estéreo, assim como "I'm Down". Como iria se repetir nos lançamentos dos próximos anos, a EMI apenas repetiria músicas já lançadas em coletâneas pouco imaginativas. Mas apesar disso, "Rock'n'Roll Music" alcançou o 10º lugar em vendagens em 19 de junho de 1976. É um grande disco e eu ainda tenho o meu até hoje, em LP, CD e fita cassete. Não dou, não vendo e nem empresto!

PAUL McCARTNEY & WINGS - GOODNIGHT TONIGHT******

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"Goodnight Tonight" é um single lançado pelos Wings, notável pelo seu som meio discoteca e a guitarra flamenca. Alcançou o número cinco no Reino Unido e nos Estados Unidos durante 1979. Foi produzida especialmente para ser lançada como o primeiro compacto lançado pela gravadora CBS, que comercializaria os discos de McCartney até 1986 nos Estados Unidos. A música começou como uma faixa de apoio instrumental que Paul McCartney havia gravado em 1978. Precisando de um single dos Wings para acompanhar o álbum Back to the Egg, McCartney voltou à faixa e e trabalhou com a banda. Adicionaram guitarras elétricas, percussão, e toda a banda cantou no coro. Como tinha mais de sete minutos de duração, uma versão editada era usada como single, com a versão completa disponível como single de 12 polegadas. Foi feito um vídeo promocional para a música, mostrando os Wings ambientados na década de 1930. As fotos do vídeo foram usadas na capa do single. Nos EUA, foi o primeiro lançado no novo acordo da McCartney com a Columbia Records. "Goodnight Tonight" aparece nas compilações “All the Best!” (1987), “Wingspan: Hits and History” (2001) e “Pure McCartney” (2016). A versão de 7 polegadas foi lançada como uma faixa bônus no CD remasterizado de 1993 de “McCartney II”, como parte de The Paul McCartney Collection.
"Goodnight Tonight" foi um sucesso internacional (inclusive no Brasil), alcançando o número cinco na Billboard Hot 100 nos EUA e no UK Singles Chart. John Lennon disse mais tarde que não se importava com a música, mas apreciava o baixo de McCartney na música. O single recebeu um Disco de Ouro certificado pela RIAA (Recording Industry Association of America) pela venda de mais de um milhão de cópias.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

THE BEATLES - GOOD NIGHT*****

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"Good Night" é uma música dos Beatles, composta por John Lennon. É cantada por Ringo Starr, o único Beatle a aparecer na faixa. A música foi fornecida por uma orquestra organizada e conduzida por George Martin. É a última música no álbum dos Beatles de 1968 The Beatles, o "Álbum Branco". John Lennon escreveu a canção como uma canção de ninar para Julian, então com cinco anos. O arranjo de George Martin é exuberante. Lennon diz ter querido que a música parecesse como um número de produção de Hollywood. Ringo tornou-se o terceiro membro do grupo (depois de Paul McCartney e George Harrison) a gravar uma canção creditada ao grupo sem os outros membros atuando (Lennon foi o quarto com "Julia"). A música termina com Ringo sussurrando as palavras: "Boa noite... Boa noite, todos... Todo mundo, em todos os lugares... Boa noite". A música foi gravada por vários artistas, incluindo Jarvis Cocker, Pedro Aznar, Carpenters, Ramsey Lewis, Kenny Loggins, Linda Ronstadt, Cyril Stapleton, The Manhattan Transfer, Matthew Sweet e o baterista dos Monkees Micky Dolenz e Vera Lynn do "Forces Sweetheart" , que a lançou como single. Barbra Streisand gravou em 1969 para o álbum What About Today? Também foi escolhida pela banda britânica Coldplay para tocar depois que a banda deixou o palco em concertos em sua turnê Twisted Logic Tour.

RINGO STARR - YOU'RE SIXTEEN - AO VIVO - DEMAIS!

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A banda Ringo Starr & His All-Starr Band é um supergrupo de rock com músicos variáveis, dependendo dos projetos indivuduais e disponibilidade naquele momento, liderada pelo baterista dos Beatles e vocalista, nosso velho amigo Ringo Starr. Desde 1989, Ringo já excursionou com doze variações da banda, onde "todos no palco são uma estrela por direito próprio". Ringo Starr e sua All-Starr Band é um conceito que foi criado pelo produtor David Fishof. Aqui, a gente confere a banda em uma de suas melhores formações, de 1995, quando realizou 11 shows no Japão. Os shows no Nippon Budokan em 26 e 27 de junho de 1995 foram gravados e lançados em CD e DVD. Liderados por Ringo, estão: John Entwistle do The Who, baixo; Randy Bachman, do Guess Who e BTO, guitarra; Mark Farner, da banda Grand Funk Railroad, guitarra; Felix Cavaliere, de The Young Rascals, teclados; Billy Preston, teclados; Zak Starkey, bateria e Mark Rivera, da banda de Billy Joel, Saxphone.

RINGO STARR - YOU'RE SIXTEEN - SENSACIONAL!

domingo, 14 de janeiro de 2018

THE BEATLES - ANOTHER GIRL - SENSACIONAL!

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"Another Girl" é uma música dos Beatles lançada em 1965 no álbum com a trilha sonora de Help! Foi escrita por Paul McCartney e é dirigida para a namorada do cantor, que é informada de que ele encontrou "outra garota". Os Beatles gravaram a música em 15 de fevereiro de 1965, tendo também trabalhado em "Ticket to Ride" e "I Need You". A faixa de apoio foi gravada rapidamente em uma única tomada. George Harrison adicionou um "floreio" de guitarra no final que foi omitido da mixagem final; McCartney adicionou a guitarra principal no dia seguinte. Esta é uma das várias músicas gravadas pelos Beatles em que McCartney tocou guitarra principal, além de seu baixo habitual. A gravação de quatro pistas permitiu que o grupo aperfeiçoasse os arranjos das músicas no estúdio e McCartney geralmente tinha ideias claras sobre as linhas de guitarra que ele queria. Ele também contribuiu com a guitarra principal para "Ticket to Ride" e tocou um dueto de guitarra elétrica com Harrison em "The Night Before". A música foi mixada em 18 de fevereiro e novamente em 23 de fevereiro. Esta música apresenta as harmonias de três partes frequentemente utilizadas entre Lennon, McCartney e Harrison, mas é uma das únicas vezes nas quais Lennon canta a harmonia mais alta. "Another Girl" foi tocada ao vivo pela primeira vez em 49 anos, quando Paul McCartney voltou ao Nippon Budokan, em Tóquio, em 28 de abril de 2015. Na verdade, este concerto comemorava o 49º aniversário do primeiro concerto dos Beatles no local. Em uma declaração divulgada, McCartney disse: "Foi sensacional e bastante emocionante lembrar a primeira vez e agora experimentando esta audiência fantástica esta noite". McCartney disse sobre esta música e outras faixas de Help!, "É um pouco demais chamá-las de enchimentos, porque acho que elas eram um pouco mais do que isso, e cada uma delas passou pelo teste dos Beatles. Todos nós gostamos".

THE BEATLES - I NEED YOU - SENSACIONAL!

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"Escrita de acordo com o receituário 'Como Escrever Canções de Amor', I Need You é uma homenagem de George à sua namorada Pattie Boyd. A música é uma de suas composições para os Beatles não mencionadas em seu livro "I Me Mine" de 1980. A outra é "You Like Me Too Much". "I Need You" foi a única canção de George a aparecer no filme "Help!" e a primeira a usar um pedal wah-wah para distorcer o som da guitarra. Alguns livros sobre os Beatles afirmam que George a escreveu nas Bahamas enquanto estava longe de Pattie. Mas isso não pode ser verdade, uma vez que as gravações começaram em 15 de fevereiro de 1965, e essas cenas nas Bahamas só foram feitas na semana seguinte". Steve Turner
"Uma das duas músicas de George no álbum Help!, hoje muito esquecida. É bastante simples, sem artifícios, mas impressiona. O título diz tudo - ela, ou ele, está longe, em algum lugar, e ele precisa dela; por favor lembre-se de quanto preciso de você. Foi escrita para Pattie Boyd, sua namorada, que ele conheceu na filmagem de A Hard Days Night e com a qual se casaria em janeiro de 1966. Por alguma razão, George não escreve sobre essa música no livro I Me Mine, em que menciona quase todas as suas outras canções. A única outra que ele omite é sua segunda no álbum Help!, “You Like Me Too Much”. Seria vergonha? Ou se esqueceu delas? Ou não conseguiu encontrar os manuscritos originais para lembrar o que fizera?" Hunter Davies
Apesar da má vontade dos dois autores aí de cima, “I Need You” é uma grande música. Foi gravada nos dias 15 e 16 de fevereiro de 1965. O produtor, claro, foi George Martin e o engenheiro foi Norman Smith. Foi lançada em 6 de agosto de 1965 como a quarta música do lado 1 do disco com a trilha sonora do filme Help!. Foi a segunda música escrita por George a ser gravada pelos Beatles. É uma canção de amor simples, e até melancólica. George Harrison canta, toca violão e guitarra elétrica de 12 cordas; John Lennon faz os vocais de harmonia, e toca violão acústico e tambor; Paul McCartney faz vocal de harmonia e toca baixo e Ringo Starr faz a percussão e toca o chocalho.

THE BEATLES - LIVE AT THE BBC - 1994*****

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Durante os anos áureos da Beatlemania, entre 1963 e 1965, a BBC – British Broadcast Television – parecia existir por causa dos Beatles. E os Beatles retribuíam dando o melhor de sí nessas apresentações. O álbum “Live at the BBC”, foi lançado oficialmente em 30 novembro de 1994 na Inglaterra e nos Estados Unidos. Aqui no Brasil, chegou com duas semanas de atraso. Nada mal se compararmos aos anos em que essa espera podia durar mais de um ano, ou dois, ou dez! Para chegar aqui em Brasília, demorou mais outra semana. Um Edu completamente ansioso, quase 25 anos mais novo, estava louco para colocar suas mãos naquela valiosa caixinha com tantas músicas “novas”.
“Live at the BBC” foi o primeiro álbum dos Beatles com músicas inéditas desde Let it Be de 1970. Eu sabia o dia certinho que o bichão chegaria aqui em Brasília. Eu era amigo de um gerente da saudosa discoteca 2001 e ele me dava o serviço completo. Assim, no dia 20 de dezembro de 1994 (um sábado), as 8h30, eu e meu amigo Marco Miranda estávamos lá, no estacionamento do Conjunto Nacional onde o caminhão trazendo os discos iria chegar. Na hora, fiquei amigo da galera e eu mesmo escolhi os que queria direto da caixa. Nessa época, eu ganhava bem pra dedéu, comprei dois, um para mim e um para meu amigo Marco, que logo passaria a ser meu compadre e espero que ele ainda tenha até hoje e nunca esquecido aquele dia fantástico!
O “BBC” trazia dezenas de gravações totalmente inéditas, feitas pelos Beatles para os programas de rádio da BBC entre 1963 e 1965. Tanto os Beatles, como Brian, sabiam muito bem o que queriam e onde queriam chegar. Por isso, nessas apresentações para a British Broadcasting Corporation, a rádio mais importante do Reino Unido, os Beatles fizeram o que sabiam melhor: tocar, cantar e encantar públicos cada vez maiores. Afinal. As apresentações na BBC não eram tão ruins e estressantes como as intermináveis turnês e concertos que se tornavam cada vez maiores. Reunidas no primeiro álbum lançado pelo selo Apple em mais de duas décadas, estas 56 faixas foram gravadas em apresentações, muitas delas em seu próprio programa, Pop Go The Beatles, transmitido todas às terças-feiras às 17 horas ao longo do verão europeu de 1963. Outros programas da BBC em que eles apareceram, também representados no CD duplo, são Easy Beat, Top Gear e o saudoso Saturday Club. O grosso do material vem de um vasto repertório de interpretações de músicas de outros artistas, frequentes nas longas apresentações de Hamburgo e Liverpool, e do qual apenas uma parcela minúscula foi registrada em estúdio nos anos 1960. A foto da capa foi tirada no exterior do BBC Paris Theatre, na Lower Regent Street, em Londres. A contacapa é, na verdade, uma colagem que utiliza o mesmo fundo, mas com uma foto diferente dos Beatles. À época do lançamento, em 1994, a americana Capitol Records não produzia mais discos de vinil, portanto cedeu esses direitos para a Speciality Records. Apenas 250 mil cópias foram prensadas nesse formato, o que faz o lançamento americano em vinil um item valioso de colecionadores.
Os dois discões mostram o conjunto de rock mais popular da história em seus primeiros anos e além de conter velhos clássicos da banda como I Saw her Standing There , Things We Said Today, A Hard Day´s Night, I Feel Fine, possui diversos covers de artistas que os Beatles admiravam como Elvis Presley, Chuck Berry, Little Richard, Carl Perkins entre outros. Entre as músicas de outros artistas tocadas pelos Beatles estão Johnny B. Goode de Chuck Berry, A Shot of Rithyim and Blues de Arthur Alexander, Long Tall Sally de Little Richard, entre tantos outros. Além disso, o álbum traz também alguns curiosos diálogos entre a banda e diversos apresentadores como Brian Matthew e mostra vários momentos de descontração. São 69 faixas dispostas em dois cd's que trazem o que de melhor a música pop do quarteto pode oferecer: guitarras perfeitas e afiadas, baixo contagiante, bateria elevada e os melhores vocais da história do rock. Aqui os Beatles mostram toda a sua garra e atitude que, por vezes, destoa daquela que conhecemos através da produção perfeita de George Martin. Aliás, Martin foi o responsável pela masterização digital dessas pérolas.“THE BEATLES – LIVE AT BBC” é um álbum absolutamente fantástico, excelente e que não pode faltar em nenhuma coleção.

THE BEATLES - ON AIR - LIVE AT THE 'BBC' VOLUME 2*****

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Essa nova coletânea dos Beatles foi lançada no dia 11 de novembro de 2013 com interpretações inéditas que o quarteto gravou ao vivo para a emissora britânica BBC nos anos 1960. "On Air - Live At The 'BBC' Volume 2", tem 63 canções e sai acompanhado de um livreto de 48 páginas. O álbum inclui 37 versões do grupo com alguns de seus primeiros sucessos e versões nunca publicadas até então, além de 23 gravações com conversas e brincadeiras entre os membros da banda, gravadas entre 1963 e 1964. Em "On Air" estão dez canções que nunca foram gravadas pelo grupo para a gravadora EMI no anos 60, e duas delas nunca foram registradas: uma versão de "Beautiful Dreamer" e "I'm Talking About You", de Chuck Berry. Este álbum complementa o que foi publicado há vinte anos, em 1994, "Live At the BBC", que alcançou o número um de vendas no Reino Unido. Também há neste segundo disco diferentes versões de seis raridades incluídas no disco de 1994 como "Lucille" de Little Richard, "Memphis, Tennessee" de Chuck Berry, "The Hippy Hippy Shake" de Chan Romero, "I Got a Woman" de Ray Charles e duas músicas de Carl Perkins, "Glad All Over" e "Sure To Fall". Outra das surpresas deste novo lançamento é o tributo da banda ao programa de música pop da BBC, o mais importante no começo dos anos 60: "Happy Birthday, Dear Saturday Club".
"On Air" inclui gravações de 30 canções das mais queridas do catálogo dos Beatles, entre eles cinco números um e canções como "I Saw Her Standing There", "Please Mister Postman" ou "And I Love Her". Da mesma forma que o primeiro álbum duplo de 1994, este lançamento contém áudio dos quatro de Liverpool conversando com os DJs Brian Matthew e Alan Freeman e com os locutores Lee Peters e Rodney Burke. Os Beatles tocaram um grande leque de canções nas 275 participações que fizeram na BBC entre março de 1962 e junho de 1965. Só em 1963, estiveram em 39 programas de rádio e em um só dia chegaram a gravar 18 canções em uma sessão de menos de sete horas, em que havia pouquíssima margem para corrigir erros.

sábado, 13 de janeiro de 2018

THE BEATLES - OB LA DI, OB LA DA - LIFE GOES ON BRA... LA LA HOW THE LIFE GOES ON

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Depois de quase duas semanas engolindo “Revolution # 9, a vingança de Paul Mcartney foi transformar as sessões de seu animado reggae "Ob-La-Di, Ob-La-Da" em maratonas extenuantes de dias inteiros, levando o grupo a fazer dezenas de execuções enquanto elaborava ajustes minuciosos de vários aspectos melódicos e rítmicos.Imagem relacionada
O alvoroço de Paul perturbou John Lennon, cujo humor descambou rapidamente do entusiasmo para o tédio e depois para a mais amarga antipatia. Depois de dezenas de tomadas, quando Paul anunciou que não estava satisfeito e queria regravar tudo desde o início, Lennon finalmente explodiu, fulminando e cuspindo. Como relembra o engenheiro de som Geoff Emerick, John saiu xingando e batendo a porta. Voltou algumas horas mais tarde bem doidão, com os olhos revirados e faiscantes. "Estou muito doidão!", gritou, se agarrando ao piano mais próximo. "E é assim", berrou, olhando furiosamente para Paul, "Essa é a sua maldita introdução! É assim que a porra da canção deve ser!". Furiosamente, Lennon martelou uma introdução de alguns toques que, de forma surpreendente, pareceu ter resolvido o enigma rítmico da melodia. Como registrou Emerick, Paul ficou furioso e encantado ao mesmo tempo. "Vamos fazer do seu jeito", sibilou. E fizeram, encontrando a linha melódica que durante tanto tempo tinha escapado de suas mãos. Peter Amos Carlin – Paul McCartney – Uma Vida.
“Ob-La-Di, Ob-La-Da, Life goes on, bra”, é algo como “Ob-La-Di, Ob-La-Da, a vida vai continuar, brother”. É uma música de Paul McCartney gravada pelos Beatles lançada no álbum "The Beatles" que ficou conhecido como Álbum Branco, de 1968. Foi lançada como single tempos depois e alcançou grande sucesso no Reino Unido, onde tornou-se primeiro lugar nas paradas de sucesso britânicas, curiosamente, em uma regravação com o grupo The Marmelade no mesmo ano do lançamento oficial pelos Beatles.
Paul ouviu as palavras "Ob-la-di Ob Ia da" serem pronunciadas pela primeira vez pelo nigeriano Jimmy Scott. músico de conga que ele conheceu no clube Bag o'Nails, no Soho, em Londres. Um personagem extravagante e inesquecível com seus óculos escuros e roupas africanas, Scott era famoso pelas frases de efeito. Sua esposa, Lucrezia, diz que "ob Ia di, ob Ia da" é uma tradução fonética de algo que o pai costumava dizer a ele na língua urhobo, usada pelo povo warri no meio-oeste da Nigéria. "Tinha um significado especial que ele nunca contou a ninguém", ela diz. "Nem mesmo os Beatles sabiam o que significava. Uma vez perguntei a Paul o que significava, e ele disse que achava que era 'Comme ci, comme ça' mas não é isso. Para Jimmy, era como uma filosofia que ele carregou a vida toda".
Jimmy Anonmuogharan Scott Emuakpor nasceu em Sapele, Nigéria, e foi para a Inglaterra nos anos 1950, e lá trabalhou nos clubes de jazz do Soho. Ele tocou com Georgie Fame and the Blue Flames na década de 1960, foi músico de apoio de Stevie Wonder na turnê de 1965 pela Inglaterra e, depois, formou a própria Ob-la-di Ob-la-da Band. Compôs a trilha de algumas das cenas de dança no filme She (1965), de Robert Day, estrelado por Ursula Andress, Peter Cushing e Christopher Lee. Lucrezia diz que a expressão era bastante conhecida porque nos shows ele dizia "Ob Ia di", o público gritava "Ob Ia da", e depois Scott respondia "life goes on". O fato de Paul ter usado o seu lema como base de uma música gerou polêmica. "Ele ficou incomodado quando fiz a música com a expressão porque queria receber direitos. Eu falei "qual é, Jimmy? É só uma expressão. Se você tivesse escrito a música, poderia receber uma parte", Paul disse à Playboy em 1984.
A base da letra foi composta durante a meditação transcendental na Índia. Paul já tinha em sua cabeça o refrão citado por Jimmy Scott e após isso criou uma letra bobinha, porém de conteúdo muito alegre e dançante, que narra o encontro de Desmond e Molly Jones, que segue a linha de “Eleanor Rigby”, no caso de Molly Jones, já que esta é uma personagem fictícia. Já Desmond é um tributo a Desmond Dekker, lenda do reggae bastante apreciado por Paul que assim lhe prestou homenagem. "Ob-la-di Ob-la-da" é citada como o primeiro exemplo de ska branco. Mesmo sendo uma frase de urhobo, a música que Paul compôs em torno dela e os personagens eram da Jamaica. Quando gravou os vocais, McCartney cometeu um erro ao cantar Desmond, em vez de Molly, "stayed at home and did his pretty face". Como os outros Beatles gostaram da escorregadela, foi mantida. Paul adorava sua criação e queria que fosse lançada como single. John sempre a odiou.
Jimmy Scott tocou congas na gravação (5 de julho de 1968) - única ocasião em que trabalhou com os Beatles. Lucrezia se lembra de ter sido chamada para ouvir uma gravação em playback e levar um papel timbrado da Ob-la-di Ob-la-da Band para mostrar a Paul como soletrar a frase. Naquele mesmo ano, Jimmy apareceu no álbum Beggar's Banquet, dos Rolling Stones, e, em 1969, no show gratuito dos Stones no Hyde Park. Na mesma época, ele foi preso e levado para a prisão de Brixton para aguardar julgamento por não pagar pensão para a ex-mulher. Scott pediu à polícia para contatar o escritório dos Beatles e ver se Paul acertaria sua monstruosa dívida com o processo. Paul o fez, com a condição de que Jimmy retirasse a queixa contra ele por causa da música. Scott deixou a Inglaterra em 1969 e só voltou em 1973, quando mergulhou no projeto Pyramid Arts no leste de Londres, dando oficinas de música africana e percussão. Em 1983, ele se juntou ao Bad Manners e ainda estava com o grupo quando morreu em 1986. "Tínhamos acabado de fazer uma turnê pelos eua e ele pegou pneumonia" recorda Doug Trendle, também conhecido como Buster Bloodvessel, vocalista do Bad Manners. "Quando ele voltou para a Inglaterra, foi revistado no aeroporto por ser nigeriano. Eles o deixaram nu por duas horas. No dia seguinte, ele foi levado para o hospital e morreu. Ninguem tem muita certeza sobre quantos anos ele tinha. Devia ter uns 64 anos. Em julho de 1986, um show com o Bad Manners, Hi Life International, The Panic Brothers e Lee Perry and the Upsetters foi montado no Town and Country Club, em Londres, para angariar fundos para o Jimmy Scott Benevolent Fund. Ele deixou pelo menos doze filhos de dois casamentos. "Jimmy era um homem essencialmente musical, charmoso, irresistível e tinha o dom da lábia", Lucrezia escreveu no programa do evento beneficente. "Se a vida às vezes parecia um tédio, não deveria ser, porque as histórias que ele contava eram urna fonte interminável de diversão". Paul, que manteve contato com Jimmy, também contribuiu com uma citação: "Ele era um grande amigo. Nos anos 1960, costumávamos nos encontrar em vários clubes e ficávamos conversando até a hora de fechar. Ele tinha uma atitude muito positiva em relação à vida, e foi um prazer trabalhar com ele". Ob La Di Ob La Da, aparece , além do álbum branco, no álbum 1967-1979 (azul) e no anthology 3.

THE BEATLES - DIZZY MISS LIZZY - SENSACIONAL!*****

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"Dizzy Miss Lizzy” foi a terceira e última música do grande Larry Williams gravada pelos Beatles, com vocal arrasador realizado por John Lennon, e o riffs de guitarra absolutamente matadores executados por George Harrison e o próprio Lennon. Do mesmo autor, os Beatles também gravaram outras duas pedradas: “Slow Down” e “Bad Boy”, todas com a interpretação enérgica de Lennon! Seria de impressionar, não fossem os Beatles, como a banda está em forma durante a execução dessas faixas. Os Beatles gravaram "Dizzy Miss Lizzy” e “Bad Boy” no mesmo dia, em 10 de maio de 1965. O grupo gravou dois takes da música no início da sessão, que começou às 20h00 e terminou às 21h30. "Dizzy Miss Lizzy" encerra de forma brilhante, o álbum Help!, de 1965, logo depois da bucólica “Yesterday”. Também foi um dos pontos altos no megashow no Shea Stadium. John Lennon também cantou a música no primeiro concerto da Plastic Ono Band, no festival de rock de Toronto dia 13 de setembro de 1969. Williams era um dos compositores preferidos de John Lennon, que em sua carreira solo ainda gravou “Just Because” e “Bony Moronie” no álbum “Rock and Roll” e Paul McCartney regravou “She Said, Yeah” no sensacional álbum Run Devil Run. Larry Williams morreu no dia 7 de janeiro de 1980. Suicídio. E aqui, a gente confere mais uma vez, a potente "Dizzy Miss Lizzy” com os Beatles quebrando tudo no Shea Stadium em alta resolução.

"THE BEATLES: THE U.S. ALBUNS"

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Em 2013, os álbuns americanos dos Beatles foram lançados em uma caixinha bem bacana, especial e cara como parte da celebração dos 50 anos da Beatlemania na América. A Capitol Records ressucitou um projeto iniciado em 2004, mas abandonado: "The Beatles: The U.S. Albums", uma coleção de 13 CDs que inclui as versões americanas dos álbuns da maior e melhor banda de todos os tempos, lançados nos anos 1960, ou pelo menos aqueles com sequências de faixas diferentes (e em alguns casos mixagens diferentes) dos originais britânicos. Os álbuns americanos são motivos de polêmica há décadas entre os fãs dos Beatles. Muitos colecionadores preferiam que eles fossem esquecidos, argumentando que os discos britânicos refletem as sequências de canções e a qualidade de som que a banda aprovou. Nos EUA, os discos são mais curtos (normalmente 12 músicas, contra 14 no Reino Unido) e ganham reverb para refletir o que os executivos da Capitol consideravam o "gosto americano". Como a Capitol excluía músicas e acrescentava singles (que não faziam parte dos discos britânicos), lançava depois compilações extras. Para americanos mais velhos, no entanto, esses são os discos que eles cresceram ouvindo e muitos preferem essas versões. "Meet the Beatles", primeiro álbum da Capitol, por exemplo, nos EUA traz quase só composições originais dos Beatles, com apenas uma cover ("Till there was you"), enquanto a versão britânica traz oito originais e seis covers. O "Rubber Soul" americano abre com "I've just seen a face", que está no lado B do britânico "Help!". Essa caixa traz os discos "Meet the Beatles", "The Beatles' Second Album", "A Hard Day's Night", "Something New", "The Beatles' Story", "Beatles '65", "The Early Beatles," "Beatles VI", "Help!", "Rubber Soul", "Yesterday. And Today", "Revolver" e "Hey Jude". Álbuns que são idênticos em suas versões americana e britânica - "Sgt.Pepper's Lonely Hears Club Band", "Magical Mystery Tour", "Álbum branco", "Yellow Submarine", "Abbey Road" e "Let It Be" - não estão incluídos.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

A PEDIDOS - THE BEATLES - I CALL YOUR NAME

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"I Call Your Name" é uma canção dos Beatles escrita por John Lennon que escreveu a canção antes da formação dos Beatles, e em 1963 a cedeu para que Billy J. Kramer and The Dakotas a gravassem. Os Beatles a gravaram em 1964, quando foi lançada na Grã-Bretanha e nos EUA como lado B de Long Tall Sally. "I Call Your Name" foi relançada em 1988 na coletânea Past Masters, Volume One. The Mamas & the Papas fizeram uma cover em 1966, e Ringo Starr gravou uma versão para um programa especial de televisão, no décimo aniversário da morte de Lennon.
John calcula que escreveu "I Call Your Name" quando "os Beatles ainda nem existiam como banda". Como o Quarry Men, seu primeiro grupo, foi formado pouco depois que ele comprou seu primeiro violão, em março de 1957, ele deve ter escrito a música enquanto aprendia a tocar ou até mesmo antes, quando só sabia tocar banjo. The Quarry Men era inicialmente um grupo de skiffle formado por amigos da escola Quarry Bank High. Rod Davis, que tocava banjo com eles, não se lembra de ter visto John escrevendo músicas naquela época. "O que nós fazíamos era ouvir os singles mais recentes no rádio e tentar anotar as letras", ele conta. "A questão é que, se você não conseguisse entender, ou não conseguisse escrever rápido o bastante, ficava empacado. Então o que John costumava fazer era colocar suas próprias letras nessas músicas. Ninguém parecia notar porque as pessoas também não sabiam as letras. Havia uma música chamada 'StreamlineTrain', que John reescreveu como 'Long Black Train'. Ele também colocou uma letra nova no sucesso de Del Vikings 'Come Go With Me', e eu não percebi até ouvir a versão original muitos anos depois". Se a canção foi escrita há tanto tempo quanto John achava, isso significa que ele já vinha escrevendo sobre o desespero nos tempos de escola. Os versos "I never weep at night, I call your name" são próximos de "In the middle of the night, I call your name", de 1971, de "Oh Yoko", que faz parte do álbum ImagineJohn adicionou o solo de blue beat jamaicano em 1964. Blue beat e ska, levados para a Inglaterra por imigrantes das Índias Ocidentais, estavam se popularizando entre os britânicos e o selo Blue Beat, fundado por Ziggy Jackson em 1961, havia lançado 213 singles nos três anos ante­riores. Duas semanas após a gravação de "I Call Your Name", o New Musical Express questionava se o ska e o blue beat se tornariam o grande tema do momento da música pop. Com os Beatles por perto, eles não teriam a menor chance. Steve Turner

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

ELVIS - 30 # 1 HITS - SENSACIONAL!*****

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"A Little Less Conversation" foi gravada por Elvis Presley em 1968. Em 2002 ela foi relançada em um "CD-single" remixada pelo DJ holandês Tom Holkenborg, conhecido como Junkie XL, ou JXL, se tornando um enorme sucesso. Essa gravação, de certa forma, serviu para que as novas gerações conhecessem e apreciassem o rei do rock! "A Little Less Conversation" é também, o carro-chefe do discão “Elvis: 30 #1 Hits”, uma coletânea com os grandes sucessos de Elvis Presley nos Estados Unidos e Inglaterra, exclusivamente só com as músicas que foram número 1 nesses países. Essas músicas compreendem o período de 1956 até 1977. Esse disco se tornou um dos mais vendidos no mundo no ano de 2002 para surpresa de muitos e também foi um dos mais vendidos de Elvis em todos esses anos. "A Little Less Conversation" virou um grande hit no mesmo ano, explodindo em primeiro lugar em vários países, inclusive no Brasil, como há muito tempo não acontecia. Essa música foi gravada em 1968 e não figurou nas paradas da época, com exceção de Cingapura onde foi número 1 naquele mesmo ano.

O DIA QUE GEORGE HARRISON ABANDONOU O GRUPO

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Assim como Ringo Starr desistiu temporariamente dos Beatles em agosto de 1968, no dia 10 de janeiro de 1969, George Harrison também perdeu a paciência por não se sentir mais capaz de tolerar as tensões dentro do grupo. Os Beatles estavam no Twickenham Film Studios, onde tudo que faziam, estava sendo capturado pelas câmeras de Michael Lindsay Hogg. O dia começou com Paul McCartney trabalhando sozinho em um piano, tocando várias músicas em que o grupo estava trabalhando durante a semana anterior. Estas incluíram versões em solo de I've Got A Feeling e Get Back, que geralmente eram realizadas com guitarras. Os Beatles, ainda como um grupo, trabalharam duro em Get Back durante a manhã. Após várias tentativas passaram para Two Of Us. Quando chegou a hora do almoço, George literalmente, botou a viola no saco e foi embora sem dizer uma palavra sequer. Seja por negação ou descrença, os três Beatles restantes + Yoko Ono, continuaram ensaiando sem Harrison. A triste verdade, é que esta situação já vinha se arrastando há tempos, desde que Yoko Ono apareceu.
Para as sessões de Let It Be, George havia composto “All Things Must Pass", “Hear Me Lord” e “I Me Mine”. Somente essa última se­ria gravada pelos Beatles. As outras duas, além de muitas outras rejeitadas pela ban­da, viriam a compor seu aclamado álbum solo de estreia, All Things Must PassPara piorar as coisas, George havia re­centemente passado um tempo com Bob Dylan em Woodstock e juntos fizeram uma mú­sica, “If Not for You”. John e Paul nunca se ofereceram para compor com George. Os dois o haviam ajudado em algumas de suas composições, mas não tinham estendido a mão como Dylan. Essa ferida doeu gravemente. Talvez o problema de John e Paul com o novo material de George fosse a natureza mística das canções. De fato, o desenvolvi­mento espiritual de George estava começan­do a lançar raízes. Desde 1965, ele explorava diferentes religiões, mas acabara se encon­trando com o movimento Hare Krishna, a Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna. Ele ficou impressionado com a humildade e a falta de interesse pelo consumismo ocidental dos seguidores. George ficou amigo deles, lhes deu dinheiro e escreveu sua canção mais famosa, “Something”, com Krishna em men­te. Certa noite em casa, ele explicou que ti­vera de trocar a letra. Um Beatle cantando sobre “ele” em vez de “ela” tinha grande chan­ce de causar mal-entendidos, o que levou à alteração na letra.
No dia em que George saiu furioso do Twickenham, a banda + Yoko passaram a tar­de improvisando: Ringo batucou algumas levadas esquisitas, Yoko fez sua parte com os gritos, John entrou com a microfonia da gui­tarra e Paul esfregou o baixo para cima e pa­ra baixo do amplificador. Dois dias depois, todos foram à casa de Ringo para tentar acer­tar as diferenças. De imediato, George citou suas objeções, dizendo que o combinado era que a reunião seria limitada aos quatro mem­bros do grupo. John alegou não ter sido avi­sado. E George então foi embora dizendo não acreditar nele, indo para a casa dos pais em Liverpool. Dias depois, os quatro Beatles se en­contraram novamente no escritório da Apple. Houve algum progresso. George aceitou vol­tar. Mas somente com a condição de desisti­rem da ideia do show ao vivo e esquecerem Twickenham. Então, a harmonia voltou. Mas isso duraria bem pouco tempo.
O filme 'Let It Be' [1970] contém cenas daquele 10 de janeiro de 1969, mas a saída de George foi omitida da edição final. Somente o livro 'The Beatles: Anthology' [2000] revela alguns detalhes do episódio, nas palavras dos próprios Fab Four. Fonte: whiplash.net
Ringo: Paul e George não estavam se dando bem naquele dia e George decidiu partir, mas não contou nem para John, nem para mim ou Paul. As discussões sempre aconteciam, então até irmos almoçar nenhum de nós percebeu que George tinha ido para casa. Quando voltamos ele continuou ausente, então começamos uma jam violenta. Paul tocou seu baixo contra o amplificador, John estava 'viajando' e eu toquei umas batidas estranhas que nunca tinha feito antes. Eu não toco daquela maneira regularmente. Nossa reação foi muito, muito interessante naquele momento. Yoko entrou no meio, claro; ela estava lá.
Paul: De fato George saiu do grupo. Não tenho certeza do motivo exato. Penso que eles achavam que eu estava sendo muito dominador. É fácil para alguém como eu, que faz as coisas acontecerem, ter uma abordagem forte demais. Revendo o filme, vejo que pareço alguém com uma postura um pouco pesada demais, particularmente por ser apenas um membro da banda e não um produtor ou diretor. De minha parte era apenas entusiasmo, mas levou a alguns arranca-rabos, e num deles George disse 'Certo. Não vou aturar isso!'. Provavelmente eu estava sugerindo o que ele poderia tocar, o que é sempre algo complicado numa banda.
George: Eu tinha estado com Bob Dylan e a The Band no Woodstock e me diverti muito. Voltar para o 'inverno do descontentamento' com os Beatles em Twickenham foi algo infeliz e nada saudável. Um dia houve uma discussão entre Paul e eu. Está no filme: você pode vê-lo dizendo 'bem, não toque isso'. Eu digo: 'tocarei o que você quiser, ou nem vou tocar se você não quiser. Qualquer coisa que for te agradar, é o que vou fazer'. Estavam filmando nossos desentendimentos. A coisa não chegou a explodir, mas pensei 'qual o sentido disto? Sou bem capaz de ser relativamente feliz por mim mesmo e não dá para ser feliz nesta situação. Vou embora daqui'. Todos tinham passado por isso. Ringo já tinha saído num dado momento. Eu sabia que John queria dar o fora. Foi um período muito, muito difícil e estressante, e ainda ser filmado discutindo foi terrível. Levantei e pensei: 'Não vou mais fazer isso. Estou fora'. Então peguei minha guitarra, fui para casa e compus Wah Wah naquela mesma tarde.
John: Em suas 'viagens', Paul achou que era hora de outro filme dos Beatles ou algo assim, ou queria que voltássemos para a estrada, ou que simplesmente fizéssemos algo. Como de costume, George e eu dizíamos 'oh, não queremos fazer isso'. E ele meio que armou as filmagens. Havia muitas discussões sobre o que fazer. Eu apenas acompanhava, já tinha Yoko comigo e estava cagando para tudo [N. do T.: 'didn't give a shit about nothing']. Estava chapado o tempo todo também, heroína, etc. Eu simplesmente estava cagando para aquilo - todos estavam.
Paul: Num grupo as coisas são democráticas e ele não precisava me ouvir, então acho que ele ficou puto comigo trazendo idéias o tempo todo. Provavelmente, para ele, era apenas minha tentativa de dominar. Não era o que eu estava tentando - mas era assim que soava. Isto, para mim, foi o que eventualmente separaria os Beatles: comecei a sentir que ter ideias não era uma boa ideia. Quando tocamos 'Hey Jude' pela primeira vez, cantei o primeiro verso e George respondeu 'nanu nanu' com sua guitarra. Continuei,'Don't make it bad…' e ele respondeu: 'nanu nanu'. Ele estava respondendo cada verso - e eu disse 'Ei! Espere um pouco, não acho que queiramos isso. Talvez você devesse entrar com respostas de guitarra depois. Por ora acho melhor começarmos da maneira simples'. Insisti, pois aquilo era importante para mim, mas é claro que, se você diz isso a um guitarrista, e ele não gosta da idéia tanto quanto você, parece que você o está tirando da jogada. Acho que George sentia isso. Era algo do tipo "desde quando você vai me dizer o que devo tocar? Estou nos Beatles também'. Consigo entender seu ponto de vista. Mas isso me afetou, e aí eu não conseguia mais ter idéias livremente. Comecei a pensar duas vezes sobre tudo o que ia dizer - 'espere um minuto, será que vai parecer que estou forçando?' Enquanto que, no passado, era só 'bem, é isso aí, isso seria uma boa idéia. Vamos tocar esta música chamada Yesterday. Ficará tudo bem'.
George: Chegou uma hora, provavelmente na época do Sgt. Pepper's (talvez por isso eu não tenho curtido ele tanto assim), em que Paul tinha uma idéia fixa sobre como gravar suas músicas. Ele não estava aberto a sugestões de mais ninguém. John sempre foi muito mais aberto quando o assunto era tocar uma de suas canções. Isso levou às situações mais inusitadas. Eu abria o case da minha guitarra e Paul dizia 'não, não vamos fazer isso ainda. Vamos fazer uma pista de piano com Ringo, e depois faremos isso'. Chegou a um ponto em que havia muito pouco a fazer, a não ser ficar sentado lá ouvindo-o cantar 'Fixing a hole' com Ringo mantendo o tempo. Aí ele adicionava o baixo e tudo o mais. A coisa se tornou sufocante. No 'Let It Be' deveríamos nos livrar desse tipo de gravação; voltamos a tocar juntos. Mas ainda era mesma situação, em que ele já tinha na cabeça o que queria. Paul não queria que ninguém tocasse em suas músicas até ele decidir como deveria ser. Para mim foi algo como 'o que estou fazendo aqui? Isto é doloroso!'.
Paul: Depois que George foi embora tivemos uma reunião na casa do John, e acho que seu primeiro comentário foi 'vamos colocar o Eric [Clapton]'. Eu disse 'não!'. Acho que John estava meio que brincando. Pensamos 'não, espere um minuto. George saiu e não pode ser assim - não é bom o suficiente. George saiu porque sentia que que estavam dizendo-lhe o que fazer (acho que foi esse o motivo). Ringo tinha saído antes porque não achava que gostássemos dele como baterista. Essa não foi tão difícil de resolver como talvez tenha sido o lance do George. Ao mesmo tempo, John estava procurando se esquivar da situação. Acho que todos sentiámos que algumas rachaduras estavam aparecendo no edifício.
John: Quando os Beatles chegaram a seu auge, estávamos diminuindo uns aos outros. Limitávamos nossa capacidade de compor e tocar ao termos que encaixar tudo em algum tipo de formato. Por isso aconteceram os problemas. Quando chegamos ao 'Let It Be', não conseguíamos mais jogar o jogo. Podíamos enxergar as disposições uns dos outros, e logo ficou desconfortável, porque até ali acreditávamos intensamente naquilo que fazíamos e no que lançávamos. Tudo tinha que estar na medida. De repente não acreditávamos mais. Chegamos a um ponto onde não existia mais magia criativa.